Um olhar sobre os usos e reaproveitamentos de produtos não vendidos em uma feira popular de Vitória da Conquista, BA

Autores

  • Nívia Maria Gomes Vieira Universidade Estadual de Santa Cruz image/svg+xml Autor
  • Allayana Monique Lessa de Freitas Universidade Estadual de Santa Cruz image/svg+xml Autor
  • Romari Alejandra Martinez Universidade Estadual de Santa Cruz image/svg+xml Autor

DOI:

https://doi.org/10.46420/TAES.e260001

Palavras-chave:

Segurança Alimentar; Agricultura familiar; Cultura alimentar; Sustentabilidade.

Resumo

As feiras livres desempenham papel central na economia local, na preservação de saberes tradicionais e na promoção da segurança alimentar, constituindo-se como importantes espaços de sociabilidade e abastecimento, especialmente em cidades de médio e pequeno porte. Inserida nesse contexto, a feira livre do Bairro Brasil, em Vitória da Conquista (BA), destaca-se no comércio de alimentos frescos e valorização da agricultura familiar. Diante da relevância desse espaço e da necessidade de aprofundar o debate sobre perdas e desperdício de alimentos, este estudo teve como objetivo analisar a origem dos alimentos comercializados e o destino dado aos produtos não vendidos ao final das feiras de fim de semana no Mercado Municipal do Bairro Brasil. Especificamente, buscou-se identificar a origem desses alimentos, as estratégias adotadas pelos feirantes para descarte e identificar os principais produtos descartados. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas, observação direta e registro fotográfico, aplicados a 19 feirantes durante os meses de outubro e novembro de 2025, aos domingos, principal dia de funcionamento da feira. Os participantes apresentaram idade média de 51 anos e tempo médio de atuação de 25 anos, evidenciando forte vínculo histórico com a atividade. Os resultados indicam predominância da comercialização de hortaliças, verduras e frutas, com origem diversificada entre produção própria, fornecedores ou ambas. Observou-se que a definição da quantidade de produtos levados à feira baseia-se majoritariamente na disponibilidade do estoque ou conforme a demanda observada. Quanto ao manejo das sobras, a doação destacou-se como principal estratégia, seguida por promoções e reaproveitamento, revelando práticas informais que contribuem para a redução do desperdício. Conclui-se que a feira do Bairro Brasil mantém sua relevância econômica, social e cultural, apresentando potencial significativo na mitigação de perdas alimentares, embora careça de políticas públicas específicas de redistribuição e aproveitamento de excedentes.

Biografia do Autor

  • Romari Alejandra Martinez, Universidade Estadual de Santa Cruz

    Possui graduação em Ciências Biológicas - Universidad Simón Bolivar (1996), especialização em Biologia da Conservação - Chicago Training Consortium (1996) e doutorado em Ciências Biológicas - Universidad de Buenos Aires (2003). Realizou estágio pós doutoral como Visiting Scholar na New York University (2012-2014). É professora plena da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, Bahia. Esteve como Coordenadora do PPG em Desenvolvimento e Meio Ambiente (MSc e DSc) entre fevereiro de 2022 e abril 2024. Seus interesses de pesquisa abrangem bioética, biodireito, psicologia ambiental, conservação da biodiversidade, educação ambiental e cultura visual. Trabalha com o significado do termo "natureza" e os novos paradigmas das relações humanos/natureza. Tem experiência nas áreas de Primatologia, Biologia e Genética da Conservação, Primatologia, Conservação ex-situ, Bioética, Genotoxicidade e Evolução. O seu objetivo como pesquisadora é ser considerada verdadeiramente interdisciplinar.

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2026-01-13

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